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A vantagem competitiva está na cultura da sua empresa e na força da sua marca

Foto por Austin Distel em Unsplash

É muito cedo para falarmos como será 2020, mas uma coisa é certa: nós estamos animados. Ao final de 2019 já havia uma sensação de mudança positiva para este ano. A nível econômico a projeção é de um crescimento no PIB, próximo ao projetado (e não alcançado) no ano anterior. O varejo obteve um aumento no volume de compras no terceiro trimestre do último ano. Especialistas econômicos apontam maior aumento das margens em contrapartida ao aumento no faturamento total. Um exemplo disso pode ser visto nos resultados da Magazine Luiza que até o terceiro trimestre de 2019 cresceu 33,2% em vendas totais e 84,9% em margem líquida.

A empresa, nos últimos anos, investiu tempo, energia e dinheiro no modelo de negócio e na sua relação com o consumidor. Bons exemplos foram os Investimentos nos canais digitais e físicos, chegando a uma ominicanalidade (todos os canais de venda conectados), e a aproximação das equipes de lojas com os clientes e o LuizaLabs, um laboratório de inovação que viabiliza e instiga as mudanças na gigante do varejo. Outro grande movimento está na humanização da própria marca — que passou a se chamar Magalú — em diversos segmentos do negócio e também em sua comunicação institucional. Uma estratégia robusta, e até ousada, que impacta diretamente nas diferentes percepções que todos os interessados têm sobre a empresa.

É cada vez mais comum encontrarmos exemplos como este no mundo das grandes corporações. Agora, não acredite que estes movimentos são exclusivos para as gigantes, multinacionais, de capital aberto ou com investidores multimilionários. Mudanças estratégicas, como as da Magalú, MercurBritish Airways3Mentre outros exemplo brasileiros, servem para todos os negócios, indiferentemente do setor, porte ou capital de investimento.

Ou seja, a oportunidade que o mercado e os inúmeros exemplos de grandes — antigas e tradicionais — corporações nos trazem é que temos que estar atentos aos nossos negócios, não apenas ao resultado financeiro promovido por nossas ações e transações comerciais. Precisamos cuidar da nossa essência, olhar para dentro da organização e entender a forma que estamos nos relacionando com as pessoas — tanto as que representam a empresa quanto os clientes — e com o ecossistema como um todo (meio ambiente, sociedade e relacionamentos comerciais).

Se você busca criar maior vantagem competitiva (podemos chamar de diferenciação) comece investindo na cultura do seu negócio e nas pessoas que se envolvem com ele. Estes dois pilares vão elevar o potencial da sua marca e aumentar a sua competitividade inevitavelmente. Mas aí você vai dizer: “bobagem, isso leva muito tempo, energia e dinheiro. Eu preciso é inovar para vender mais”. Sim, você está certo, é preciso inovar para ganhar maior competitividade. Porém, o que sustenta esta inovação? O que uma organização oferece é extremamente volátil. O que você faz hoje, pode mudar radicalmente amanhã. Agora, se o seu negócio não tiver uma base sólida, o tempo, a energia e o dinheiro podem ser investidos em uma inovação que não faça sentido nenhum para a sua empresa. O seu negócio nasceu para durar dezenas, centenas de anos, não é? Você tem tempo de sobra.

Por esta linha, um ótimo exemplo de crescimento, cultura e impacto com a comunidade vem da Whole Foods Markets. Um mercado de bairro, pequeno, que nasceu, passou por um momento devastador e que nos últimos anos foi adquirida pela gigante Amazon.

O negócio começou no Texas no começo dos anos 1980, em uma portinhola que logo se expandiu e, mesmo sucumbindo diante da maior enchente que havia acometido o estado à época, foi reerguido pelos próprios funcionários e a comunidade do entorno quando até os sócios pareciam desistir do empreendimento. Motivados pelo poder de recuperação e a força de uma marca até então pouco percebida pelos idealizadores, iniciou-se um ciclo de crescimento que colocou as crenças organizacionais no centro do negócio. O objetivo não era apenas ganhar dinheiro, mas lucrar fazendo a coisa certa – Fonte: Diário do Comércio

Faça a si próprio as seguintes perguntas: O quanto os profissionais com quem trabalham se doam pelo negócio? Os meus parceiros e clientes dedicariam o tempo deles para reerguer o meu negócio? Qual é o impacto — positivo — que o meu negócio está provocando nas pessoas, no nosso bairro, na nossa cidade e no mundo? A nossa empresa tem algum objetivo além do lucro? Se sim (eu espero que sim!), ele está claramente difundido? A clareza na resposta para estas perguntas possibilita traçar um indicador do potencial do negócio e da marca pela qual trabalhamos. Uma cultura organizacional poderosa e coerente reforça o potencial da marca que, por sua vez, traz segurança para as pessoas (internas e externas) e facilita a tomada de decisão para investimentos futuros.

Pedro Carlessi

12 de fevereiro de 2020